A Chegada

Eu poderia preencher todo o espaço que tenho aqui no Partiu Cinema falando do nariz da Amy Adams, estrela de A Chegada, em cartaz nesse dezembro de 2016. Se bem que poderia copiar um elogio detalhado a uma escultura de Michelangelo que daria no mesmo: ressaltar a perfeição.

Mas nariz à parte, o filme é muito bem feito, muito bonito e muito difícil. A direção do canadense Denis Villeuneve, de Sicário e Os Suspeitos, é tranquila, mas a montagem nem tanto. E a forma não linear que o filme foi editado, ao mesmo tempo que enriquece, complica ainda mais.

Amy Adams

Partindo da premissa que cinema é contar uma história, o filme é uma obra cinematográfica considerável. Ele mostra de forma inovadora uma invasão alienígena e conduz o conflito de maneira oposta a Independence Day e a quase todos os filmes que tratam desse nada fácil tema, privilegiando o diálogo em vez da guerra.

A base de tudo é o relacionamento entre os aliens e a linguista doutora Louise Banks, interpretada pela bela Amy Nariz Perfeito Adams que, admito, faz uma personagem um tanto apagada. Na tentativa de descobrir quem são, de onde vem e principalmente o que querem, perguntas vitais para o anseio dos militares, ela desenvolve uma comunicação um tanto particular com os visitantes, e, aí, entram as surpresas. Belas surpresas.

Descuido

Como não poderia deixar de ser, no papel de chato mór sinto-me na obrigação de relatar um erro que considero grotesco, apesar de não interferir em nada no desenvolvimento do filme: perto de onde um dos doze OVNIs ficou pairando, o dos Estados Unidos, montou-se um acampamento com barracas, antenas, enfim, uma estrutura militar completa. Pois ao redor dessa estrutura, que existia a menos de 48 horas, surgiram estradas de chão batido que tinham sulcos na terra, como se estivessem ali há anos com um tráfego pesado. Como disse, erro bobo, mas grave para uma produção desse nível.

Em compensação, os primeiros 90 segundos são de uma dramaticidade poucas vezes vistas na telona. Inclusive não classificaria somente como ficção. O melhor seria algo como drama de ficção. 

Enfim, seja pelo nariz da Amy, seja pela fotografia, seja pelos primeiros 9o segundos, vá ao cinema. Vale o preço, com folga.

Mas, não esqueça, prepare-se antes para um filme difícil.

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