A próxima pele

Continuando com o gratificante projeto de divulgar o cinema alternativo, “La propera pell”, ou A próxima pele, sem muito esforço deixa esta tarefa ainda melhor.

O filme espanhol, dirigido pela dupla  Isa Campo e Isaki Lacuesta, até pela maneira como foi conduzido, não será um sucesso de bilheteria. Nem ao menos popular entre cinéfilos será. E mesmo a crítica especializada, ávida por classificar filmes impopulares como excelentes, fará isso. Mas então, o que há nele? Pode valer a pena ver quando é unânime que não é um bom filme?

A sinopse é bem interessante e simples: um adolescente desaparecido retorna depois de oito anos. Quando todos já o davam por morto, e se incorpora à vida familiar marcada pelo mistério de seu desaparecimento. Pouco a pouco surge a dúvida se realmente é a criança desaparecida ou um impostor.

Emma Suarez

Apesar dessas poucas palavras definirem fielmente o enredo, não é nada disso que fala o argumento “sublinear” do filme. Ele trata de relações pessoais e – mais uma vez – da maldade que alguns de nós, alguns muitos, possuímos de maneira incontestável. Somos maus, já escrevi isso em vários palpites, e isso necessariamente gera boas histórias.

Sangue frio

Frieza à parte, é exatamente isso que acontece em A próxima pele. O sadismo e outros desvios de caráter e conduta são o mote central da história, mas, em nenhuma situação, em nenhuma cena, isso é mostrado ao espectador, em parte graças a excelente direção.

O filme é tenso, escuro, lento e demora a acontecer. O conflito é mostrado no começo e depois fica algum tempo adormecido. Isso incomoda um pouco, é verdade, mas mesmo com esse rol de problemas e defeitos, não deixaria essa obra de lado.

Alex Monner, como o garoto desaparecido e Emma Suarez  – de Julieta e Beijo para todos, como sua mãe destoam um pouco. Não porque o Monner esteja ruim, mas porque Emma está ótima, como sempre.

Enfim, apesar de todos os senões, esqueçam os  tiroteios e perseguições de carros, e vejam.

Está no Netiflix.