Assim Que Abro Meus Olhos

Verão de 2010 na Tunísia, alguns meses antes da Revolução, a Primavera Árabe. Farah, uma garota de 18 anos, se junta a uma banda de rock politizada e descobre o álcool, o amor e os protestos. Indo contra a vontade da mãe, que conhece os tabus do país, Farah mergulha cada vez mais nesse mundo, sem suspeitar do perigo de um regime político que a observa e se infiltra em sua privacidade.

Essa é a sinopse. Esquece o “descobre o álcool, o amor e os protestos” e o resto tá valendo. 

O filme mostra, de maneira clara, conflitos tão comuns aos jovens. Mostra também o quanto é difícil o convívio com os mais velhos, leia-se “com os pais”, principalmente quando o perigo vem de onde deveria vir segurança e quando há o que não foi dito. Há o que está escondido. Neste caso, o passado.

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Já comentei aqui que não gosto muito de sinopses mas, contraditoriamente, tenho usado elas seguidamente. A maioria das vezes porque conseguem retratar em poucas linhas tudo o que não tem em cena. É fantástico. Neste caso usei para, além disso, fazer uma espécie de performance introdutória para afirmar que um governo bandido é pior que qualquer organização criminosa.

Talvez somente governo corrupto seja tão lesivo ao povo quanto um governo bandido. Ele mata não somente as pessoas, mas a vontade delas. O sorriso. A esperança. Consegue dar fim a qualquer pretensão fora de uma linha reta que não vai a lugar algum.

Ditaduras

É triste. É miserável. É o fim. E é também disso que trata Assim Que Abro Meus Olhos. Ele mostra essa cara sádica de alguns governos. Essa chaga. 

Enfim, voltando ao filme, ele é bem feito. Tem como protagonista uma menina encantadora e estreante chamada Baya Medhaffar. Além de interpretar bem, canta muito.

Deve-se dar um desconto para o tipo de música, que definitivamente não é o que costumamos ouvir, mas, sem dúvida, é de qualidade.

Resumindo: vejam. Sem esquecer que é um filme tunisiano, nada parecido com o cinema comercial norte-americano.

Está no Telecine.

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