Cinco Graças

Mustang.

Esse é o nome original do Cinco Graças. Creio que é a primeira vez que inverte: o Brasil é insuperável em modificar títulos de filmes quando traduz colocando nomes absurdos. Pois desta vez Cinco Graças tem sentido, o que não acontece com Mustang. Claro que deve ter algum significado, alguma propriedade razoável para que ele tenha esse nome, mas, como é um filme Francês rodado na Turquia, sinceramente não sei a razão.

Cinco Graças é bom. Não à toa concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro, junto com o Lobo do Deserto. Os dois perderam para o húngaro O Filho de Saul. Apesar de representar a França, a produção é escrita e dirigida pela franco-turca Deniz Gamze Ergüven. Isso ocorreu porque A Turquia rejeitou o filme como seu representante na corrida pelo Oscar, deixando espaço para a França assumir a indicação.

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Elit İşcan

A história conta uma pequena parte da vida de cinco irmãs órfãs que passam a ser controladas por seus tutores depois de serem vistas brincando com garotos na praia. É baseada na experiência de uma prima da cineasta e foi duramente criticada pela mídia. O conservadorismo turco não é novidade. Trata basicamente daquela “deixa” básica: se não verem ou souberem o que está acontecendo, não está acontecendo. Infelizmente.

Tecnicamente

Falando de cinema, o filme é interessante. Creio que a história seja melhor do que a obra, mas, mesmo assim, é bom. A atuação das meninas, acredito ser desnecessário listá-las todas aqui porque são desconhecidas no ocidente, é muito boa. Para não cometer injustiça, cito somente a mais jovem, Elit İşcan, já no seu terceiro filme, que tem uma atuação sensacional. A menina é um encanto.

O longa trata da rígida sociedade turca, com seus casamentos arranjados e os limites absurdos impostos aos adolescentes em nome da “moralidade”. Fala também de rebeldia, de pureza, de tristeza e, enfim, de liberdade. Ou quase isso.

Vale a pena.

Prepare-se para um filme alternativo, e veja. Está no Telecine.

 

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