Demônio de Neon

Enquanto assistia Demônio de Neon lembrei várias frases prontas (e fracas) como “não é um filme de terror, é um terror de filme” ou “uma imagem vale mais que mil palavras, mas, diga isso sem as palavras”. E sabe porquê? Antes de tudo por que é um filme ruim. Bem ruim mesmo. Isso explica o primeiro chavão. O segundo, porque o diretor Nicolas Winding Refn, um dinamarquês que assinou também o ótimo Drive, não dirige nada além de belas cenas. “Belas” no sentido literal da palavra.

Tudo no filme tem a finalidade estética. Tudo é simétrico, as cores são detalhadamente escolhidas, as cenas pensadas somente pelo belo, os closes demorados em rostos lindos, enfim, sem exceção, todo o longa é projetado para ser bonito plasticamente. Se há sangue, o fundo será branco para contrastar. Se há azul, será piscina, e assim por diante. Tudo “par de vasos”.

Resultado de imagem para Elle Fanning

Elle

Se a intenção foi chocar, têm cenas de necrofilia, leopardos dentro de quarto de motel, sugestão a pedofilia, assassinatos a sangue frio e, mesmo assim, não choca. Nem perto.

Se a intenção for ser erótico, tem cenas de lesbianismo, beleza feminina explícita, nus cuidadosamente expostos, sugestão a fetiches, mas, da mesma forma do parágrafo acima, sem sucesso algum. Não há nada de excitante. É um fracasso.

Inexplicável

Mais duas observações: a protagonista Elle Fanning, de Malévola e o Estranho que Nós Amávamos, é muito bonita. Seu rosto é esculpido. E o eterno Matrix, Keanu Reeves, um veterano com dezenas de filmes que eu considero um ator de primeira linha, faz uma ponta pequena encarnando um personagem ridículo. Sinceramente, a única conclusão que chego é que ele deve – mais uma frase pronta – estar matando cachorro a grito para aceitar fazer parte de Demônio de Neon.

Enfim, não vejam. Não vale seu tempo.

Está no telecine, grátis para assinantes.

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