Koblic

Existem feridas que cicatrizam, mas jamais deixam de sangrar. Algumas chagas são eternas. Passam, inclusive, de geração à geração como uma característica qualquer, como cabelo crespo ou olhos verdes.

Koblic trata disso de uma forma especial porque acontece quando a ferida ainda está aberta. Talvez em seu pior estágio. Sem dúvida é um filme interessante por ter o que eu determinaria ser o seu tema principal sem sequer tocar nele, que são as consequências doídas que uma ditadura militar. Uma assassina ditadura militar, que ocorreu há poucas décadas na Argentina.

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Ditaduras, mesmo tendo muitas vezes o mesmo motivo de uma guerra – poder, dinheiro, etc – são completamente diferentes. Em um confronto bélico entre nações soldados matam-se mutuamente. Assassinam (apesar de não serem considerados “assassinatos”, prefiro chamar assim) pessoas de outro país, pessoas que jamais viram e muito provavelmente jamais iriam conhecer. Em uma ditadura não é assim: a vítima pode ser um primo ou um vizinho. Uma antiga namorada ou, sabe-se lá, uma futura companheira. Em ditaduras os assassinatos são internos. São “de casa”. E isso dói. E essa dor não passa mesmo depois de cicatrizar.

E o filme?

Mas, falando de Koblic, ele é mais uma excelente produção conjunta dos dois cinemas que na minha modesta opinião são destaques mundiais: o argentino e o espanhol. Já falei muito deles aqui no Partiu Cinema. Além disso, ele conta com Ricardo Darin – de Neve Negra – e a bela espanhola Inma Cuesta, de Julietta. Certamente isso já seria motivo suficiente para ver, mas, ainda tem o ótimo tema que referi lá acima.

Ele é um filme demorado, com cenas longas o suficiente que chega a dar tempo para pensar. A trilha e principalmente os efeitos sonoros são muito bem usados. O conjunto todo leva a conclusão óbvia de que é um bom filme. Mas acho que ele vai um pouco mais longe. Além de bom ele é forte. E necessário.

Sem dúvida alguma deve ser visto.

Está no Telecine.

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