Mãos sujas

Imaginem três cenas.

Em um envidraçado apartamento da 5ª Avenida, um alto executivo de Wall Street olhando as intermináveis e lindas luzes de Nova Iorque, cheirando uma carreira de cocaína. 

Ou um ator competente e famoso, na gigantesca sala toda cheia de quadros caríssimos de pintores renascentistas de sua mansão em Malibu, também cheirando cocaína.

E, por fim, um marine em pleno deserto de nevada, em uma base militar, depois de um dia de treinamentos cansativos, dentro de um WC todo feito de lata também cheirando o pó “brilhante”.

Nos três casos, se eles forem pessoas “do bem” (por favor, repare nas aspas), muito provavelmente possuam duas coisas em comum, apesar de serem tão distintos entre si: uma, o vício; outra, o desconhecimento.

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Eu já comecei um texto com este formato. Uso novamente porque acho ele muito eficiente no caso de Mãos Sujas. A causa e o efeito, juntos.

Se os personagens descritos acima conhecessem a origem da droga que proporciona alguns momentos de euforia, certamente abandonariam o vício.

Cada carreira de pó – que dura alguns poucos minutos – leva junto com ela uma carga de sofrimento, de mortes, de pobreza inimagináveis.

Repetindo

Nenhuma pessoa razoável levaria adiante o uso de algo tão nocivo. Não só para si, mas para toda uma cadeia formada por pessoas humildes e trabalhadoras, além de enriquecer bandidos sem qualquer noção de humanidade.

Mãos Sujas mostra o lado real do tráfico. Mais cruel e sem nenhum glamour. Não explora os grandes barões das drogas em suas mansões vigiadas por guarda-costas armados. Ele mostra o cara simples, rude, miserável e infeliz. Aquele que faz a parte suja por um punhado de dinheiro.

Retrata o sujeito que acaba morrendo cedo. Aquele que sofre e que jamais conhecerá os lugares onde a droga que transporta será consumida.

Vejam essa produção Colombiana. Vejam com cuidado.

Está no Netflix.

 

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