Memórias secretas

Vou usar o sinopse do filme, coisa que nunca faço. Eis:

‘Zev descobre que o ex-guarda nazista que matou sua família há 70 anos vive nos Estados Unidos com uma identidade diferente. Apesar de todas as adversidades, ele embarca em uma viagem para encontrá-lo e fazer justiça com as próprias mãos.”

É seguramente umas das piores sinopses que já vi. É errada e ruim. Mas infelizmente não vou contestar aqui porque neste tipo de suspense qualquer pequena informação pode estragar tudo.

Memórias secretas entra para aquele rol de filmes que a crítica esculhamba de forma cruel e, porque não dizer, irresponsável, o que não deixa de ser uma boa notícia: normalmente obras assim, taxadas de ruins pelos tais “entendidos” do cinema mundial e de todos os assuntos pertinentes a esta linda arte, são ótimos de ver. Pelo menos para pessoas que curtem uma boa história na telona e não se prendem a picuinhas. 

A grosso modo, e apesar de ter o holocausto como pano de fundo, o argumento do filme é vingança. Esse sentimento difícil de impedir e que consome uma vida inteira sem a menor cerimônia.

Bom time

A velhice também é abordada, até por uma exigência do roteiro, de uma forma um pouco “suavizada”, talvez. Mas só talvez mesmo.

O veterano Christopher Plummer, de  Elsa & Fred, está muito bem no papel de Zev, o protagonista. A direção de Atom Egoyan, de O preço da Traição, é serena, sem sobressaltos.

O filme transcorre mais ou menos. É estranho dizer isso, mas é uma boa definição. Ele é reto, até um pouco cansativo, com alguns efeitos sonoros que poderiam não existir. Eu não diria sonolento, mas, olha, quase, quase…

Entretanto, acredite, a história e o final do filme valem a pena. O título original, Remember, é mais fiel, mas chamar Memórias secretas não é nenhum absurdo.

Vejam com calma, sem esperar uma obra-prima, mas na expectativa de conhecer uma boa e surpreendente história.

Está no Netflix.