Morte Negra

Morte Negra é um filme de terror que não aterroriza. É daqueles que chocam em razão da crueldade e da bestialidade que tomam conta do ser humano por causa de um deus ou pela falta de um.

Independente de minha posição frente a possuir ou não crenças, já antecipo: se um dia eu for torturado por um ateu para que renuncie a deus farei de imediato. Caso seja torturado por um crente para renuncie ao ateísmo, da mesma forma, renuncio imeditamente. Torturadores comigo não trabalhariam muito. 

Brincadeiras à parte, Morte Negra fala mais ou menos disso: fé. Quem a tivesse era inimigo de quem não tivesse. E vice-versa. Já comentei sobre isso e infelizmente essa é uma daquelas histórias que não tem mocinho. Todos são bandidos. Qualquer semelhança com os dias atuais não é mera coincidência. Há séculos matamos por esse motivo. E, creiam, continuaremos matando.

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Carice van Houten

Partindo deste ponto de vista, Morte Negra é um drama que não faz chorar. Nem de longe. A dramaticidade dele está no conflito que consome uma vida em agonia e milhares de outras vidas por banditismo mesmo.

Ano de 1348

Ele cultiva a vingança como motivo mas só mostra abertamente no final. Levando isso em consideração Morte Negra é um filme cult, desses feitos para não somente divertir, mas para dar algum recado. Acho isso estranho e inapropriado, mas, infelizmente ele tem essa pretensão.

O longa é ambientado no século XIII em uma Europa devastada pela peste e é muito bem feito. A fotografia é de primeira e a trilha sonora bem adaptada.

O elenco é sensacional, com Eddie Redmayne, de A Garota Dinamarquesa, Sean Bean, de Tróia e Carice van Houten, de A Espiã, além de uma turma de peso nos papeis secundários. Vale a pena observar a atuação do conjunto todo.

Enfim, o filme é interessante. Não fica devendo em nada a uma superprodução e tem um tema atualíssimo, mesmo com a história ter acontecido a 700 anos atrás. Talvez essa seja uma boa prova do quanto não evoluímos em questões, digamos, não telúricas.

Vejam. Está no Netflix.