Muito Amadas

Praticamente quase tudo tem um começo, um meio e um fim.

Isso acontece com nossas vidas, com uma música, um trabalho, uma viagem, enfim, praticamente tudo. Mas, como toda regra tem exceção, não acontece em Muito Amadas.

Esse estranho filme francês filmado no Marrocos, quase que todo em Marraquexe (este é o segundo filme que escrevo aqui no Partiu Cinema que é filmado nesta linda cidade, veja aqui o outro, chamado A Passagem) é um caso a ser estudado. 

Antes de mais nada, permitam-me esclarecer que não é uma obra ruim. Falando tecnicamente em cinema, ele chega a ser bom. Bem filmado, bem roteirizado, bem sonorizado e com interpretações satisfatórias, seguramente é um filme que deve ser assistido. E, principalmente, analisado friamente.

Como tantas…

A história é quase universal. No Marrocos, em meio a melancolia e a solidão, quatro prostitutas, Noha (Loubna Abidar), Randa (Asmaa Lazrak), Soukaina (Halima Karaouane) e Hlima (Sara Elmhamdi Elalaoui), se juntam para formar uma família improvisada. Vistas como objetos, eles se unem e compartilham os problemas cotidianos, sustentam as famílias que têm vergonha delas e protegem-se mutuamente. Qualquer semelhança com a vida e com tantas e tantas outras obras não é mera coincidência.

O que a diferencia é o método. É o fato de ser somente “meio”. O começo e o final são completamente abertos a ponto de não existirem. Claro, dependendo da forma que ele for interpretado, até existe um fim, algo tipo Paulo Coelho ou algum conto de fadas, onde todos vivem felizes para sempre. Mas isso não está na tela. É uma simples interpretação, como salientei acima. Na tela não existe fim.

E o “meio”, como devem imaginar pelo tema proposto explicitado ali acima na sinopse, é doloroso. É perturbador. Nele mostra-se com frieza o quanto o dinheiro vale mais do que realmente deveria. Usado assim, uma grande e perversa arma  que traz muito sofrimento a quase todos.

Mas, enfim, não classifico a obra nada além de um filme bom. Fica mais para curioso do que para imperdível, mas, sinceramente, não perca.

Está no Telecine.

 

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