Neve negra

Eu poderia falar aqui do fantástico cinema argentino, já enaltecido tantas e tantas vezes, como fiz em o Clã e em Coração de Leão, ou como faço em toda e qualquer oportunidade em que comento a Sétima Arte. Poderia também escrever sobre a linda e competentíssima atriz espanhola, Laia Costa, que participou de produções como Victória, do também excepcional cinema alemão. Mas não usarei nada disso para falar de Neve Negra.

Não é preciso. Ele se sustenta por si só.

É um filme diferente. Duro. Agressivo. Com tomadas que deixam o espectador com frio mesmo no ar condicionado do cinema e alguns efeitos sonoros de excelente qualidade.

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Com uma história simplista, pelo menos é isso que sugere no começo, ele mostra no decorrer dos seus brevíssimos 90 minutos um roteiro complexo e rico, não só em fatos mas também em surpresas, que justificam algumas atitudes tomadas pelos personagens. Sem um bom exercício de memória talvez elas passem batidas, mas – e isso é importante – sem prejudicar a qualidade da obra.

Ao largo acontece a boa história…

É um longa único e corrido, mas feito de detalhes. São alguns dizeres, pequenas cenas soltas, olhares, quase todos ocorridos no início que o tornam avassalador.

Os personagens mostram-se aos poucos e transformam-se lentamente. No final temos outras vidas, outras pessoas, outras ambições. Mas tudo acontece de uma maneira tão eloquente que só percebemos quando termina. O mocinho vira bandido, o bandido vira mocinho, a boazinha em má e assim por diante.

Além disso, e além da maravilhosa Laia referida lá acima, temos o mestre Ricardo Darín e Leonardo Sbaraglia, ambos de Relatos Selvagens e O que os homens falam, tornando tudo ainda melhor.

Então, é simples: prepare-se para um filme forte, daqueles em que fica-se um pouco mais tempo sentado depois do final, e vá ao cinema.

(Por sinal, não tirem os olhos da tela antes dos créditos finais).

Certamente vale o preço do ingresso.

E viva o cinema Argentino!