O Apartamento

O apartamento é um daqueles filmes que incitam a se falar de várias coisas, menos cinema.

Mas é perfeitamente razoável falar da sétima arte quando se fala de obras dirigidas pelo iraniano Asghar Farhadi, responsável por filmes como Beautiful City, Fireworks Wednesday, À Procura de Elly, A Separação e O Passado. E, creiam, outros tantos igualmente interessantes.

A produção é francesa e todo o resto iraniano: atores e toda a parte técnica. A direção de Asghar é marcante. É forte. Os filmes deles são fáceis de identificar porque tratam de problemas e reações que todos nós temos. Não tem gente explodindo e ninguém voando. São personagens como você, eu ou aquele cara estranho que passa pela esquina toda quarta-feira à tarde com olhar perdido. Enfim, pode ser qualquer um. Ou todos.

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Taraneh Alidoosti

O filme é reto. Editado de maneira simples e direta. Isso, sem dúvida, não é nenhum demérito. Ao contrário, é um elogio.

O desempenho do elenco é constante e seguro. Não há escorregões nem deslizes. É tudo muito bem feito, como se tivesse sido ensaiado centenas de vezes.

Desvio de tema

Deixando um pouco o cinema de lado, basicamente O Apartamento fala de vingança. A meu ver, e claro sem deixar de relembrar minhas enormes limitações e opiniões nem sempre louváveis, o sentimento mais perverso e danoso que existe. Mas, por outro lado, o mais aceitável de todos. A vingança normalmente é acatada por mais hedionda que possa ser. Ela é justificável e, por isso mesmo, anda de mãos dadas com o perdão. Mas, claro, não o perdão de quem se vinga, mas de quem assiste.

É estranho, bem sei, mas apesar de serem antagônicas, como disse ali acima perdão e vingança andam de mãos dadas. Tal qual duas primas na infância: leves, puras e companheiras. E é exatamente isso que o filme mostra de maneira clara e objetiva. É muito interessante.

Esse filme ganhou o Oscar competindo com obras como Um Homem Chamado Ove não à toa. Ele vale a pena.

Vejam, está no Telecine.

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