Os últimos da terra

Esses dias comecei um texto assim:

Pensa em um filme ruim.

Bem ruim. Era sobre Operação Resgate. Veja aqui.

Pois Os Últimos da Terra, uma produção americana com “imensos” 95 minutos e o título original de Z For Zachariah, me obriga a ser repetitivo:

Pensa em um filme ruim.

Bem ruim. Mas bem ruim mesmo.

O filme – deve ser uma espécie de elogio chamar de “filme” – acontece em um mundo pós apocalipse, onde uma menina de 16 anos com cara de 30 é, supostamente, a única sobrevivente e vive com tranquilidade em um vale cheio de verde, com plantações, animais selvagens, tudo à disposição.

Mas, óh, que surpresa, aparece um outro sobrevivente que, depois de conviver com a bela garota por alguns dias, recusa-se a transar com ela afirmando que precisa de “um tempo”.

Oi?

Sim, um tempo. Dois jovens. Os últimos habitantes do planeta, sós em um belo e cuidadosamente decorado quarto no verdejante e romântico vale, não transam porque o sujeito precisa de um tempo. Certo. Certo…

Mas, óh, (de novo) que surpresa, eis que surge um terceiro habitante no planeta: outro jovem lindo e loiro, que, enfim, satisfaz os desejos mais íntimos e elementares da menina.

Aí surge, então, o que deveria ser o conflito da história: o ciúmes, os problemas que um triângulo amoroso deveria, ou poderia, ter, e a difícil convivência entre pessoas diferentes, desde questões de fé até ambições pessoais. Mas isso não acontece. Nada acontece.

Elenco experiente não salva

É um filme sonso, bobo, mal feito e com interpretações lamentáveis. A direção é desastrosa, com alguns closes que deveriam marcar tristeza, apreensão ou medo, e não representam nada.

Para piorar ainda mais, volta e meia a trilha sonora é um irritante som de um órgão, destes de igreja, com notas longas e chatas.

As questões religiosas, que também deveriam incrementar o argumento caem em uma mesmice e uma pobreza inimaginável que só piora tudo.

Margot-Robbie

Somente três atores (ainda bem) fazem parte dessa lástima:  Margot Robbie, de A Lenda de Tarzan e Esquadrão Suicida (onde teve uma interpretação sensacional), Chiwetel Ejiofor, que esteve muito bem em 12 Anos de Escravidão e Chris Pine, de Star Trek.

Não se entusiasme: nem a experiência em bons filmes e grandes produções do elenco salva o longa.

Em duas palavras: não veja!

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