Pulp Fiction – tempo de violência

Quatro vezes.

Esta foi a quantidade que vi e ouvi Pulp Fiction – tempo de violência.

Um exagero? Não, seguramente não. Exagero é a perfeição da trilha sonora, a beleza plástica da cena do twist com Jonh Travolta e Uma Turman, a gritaria no assalto na lanchonete, as passagens bíblicas ditas por Samuel L Jackson, a expressão do Bruce Willis depois da luta e a direção maluca e estonteante do Quentin Tarantino.

É sabido como ele dirige: é adepto do exagero, principalmente quando se fala de sangue; é fã de diálogos, muitas vezes longos e complexos, e dono de uma maneira muito peculiar de mostrar a violência, tornando-a quase aceitável.

Claro – boa hora pra lembrar – o que passa na telona não reflete a vida, especialmente em um filme de ficção. A arte não imita a vida. Ela tem sua própria vida.

Em Pulp Fiction isso é ainda mais intrigante. Como pode a história de alguns gangsteres metidos em assassinatos e falcatruas tornar um filme tão interessante, tão bom?

Direção é quase tudo

Para responder esta pergunta poderia citar inúmeras qualidades, como a já falada trilha, que é linda, ou a montagem, que é espetacular e transforma todas as várias histórias em um só mote, ou ainda as excepcionais interpretações de todo o elenco. Isso tudo ajudou – e muito – mas o motivo do filme ser o que é chama-se Tarantino.

Ele conduz a história de uma maneira visceral, colocando seus fetiches, suas taras e sua arte a serviço do conjunto. Consegue infiltrar sua personalidade doentia e personificar a obra sem torná-la pequena ou particular. Enfim, o cara é um gênio.

O filme foi lançado no longínquo 1994 e continua atual. Ganhou alguns prêmios importantes como Oscar e Globo de Ouro de Melhor Roteiro e Palma de Ouro para a direção. Mas, creio que o prêmio mais coerente com a obra é o de ainda estar em “cartaz” . E continuará assim por décadas, pois já é um clássico do cinema mundial. 

Se já viram uma vez, vejam de novo. Se não viram ainda, corram, está no Telecine e no Netflix e na memória de quem viu. E nem precisaria ver por 4 vezes.

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