Quando o Dia Chegar

Se eu levar em consideração que pretendia não ser amargo, pessimista e sem a menor esperança em nós, humanidade, não sei apenas duas coisas: como começar e nem como terminar este palpite.

Mas o meio chega a ser relativamente fácil: a realidade é mais dura, mais cruel, mais dolorosa e perversa do que qualquer ficção. Todo cuidado é pouco em escolher filmes baseados em fatos. Todo cuidado em viver, em fazer esses fatos, em conviver com eles ou simplesmente em ser conivente também.

Quando o Dia Chegar tem uma capacidade enorme de mostrar como não prestamos. O quanto somos um resto, um monstro qualquer. Ver que somos o que de pior podemos ser não é bom. Trai aquela pretensão de que tem jeito. De que tem saída. Não tem. A saída é algo projetado por algum sentimento que ainda não se corrompeu mas, infelizmente, é só uma questão de tempo.

Quando um  político rouba uma mala de dinheiro – uma mala só pode não ser suficiente para incriminar alguém, já foi dito – não são só algumas centenas de notas que ele está usurpando. Mas também o que aquele dinheiro faria pelas pessoas: remédios, esgoto, assistência, creches, enfim, isso tudo está lá, sendo roubado e trocado por joias, por restaurantes caros e automóveiss bonitos cheio de luzinhas e botõezinhos. Percebem?

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A rigor, é isso: mata-se, termina-se com a dignidade, com a cidadania, com a infância, encurta-se a velhice para trocar por um anel.

É isso que somos. É sessa gente – que não caiu de paraquedas – que terminam com tudo que há de descente. Essa gente que nós mesmo elegemos e que nos roubam até a esperança somos nós mesmos. Com nossos sorrisos falsos, com nossas vistas grossas, com nossas opções desastradas.

Desculpem, não falei de cinema. Somos capazes também de coisas boas. Quando o Dia Chegar é a prova disso. 

Amargo

Não posso passar de 400 palavras, então, não poderei detalhar o quão bom é o elenco, a montagem, a direção, a tétrica e perversa história. Enfim, o quanto é bom esse filme.

Não terei espaço para explicar porque é o longa mais forte que vi na minha vida. Nem terei chance de embasar com argumentos técnicos o porquê acredito que esse filme deveria ser exibido em escolas e em parlamentos do mundo tudo.

Só me resta dizer: vejam!

E também que chegarei ao limite para me desculpar pelo azedume: 400 palavras. Prometo melhorar.

 

 

 

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