Um Homem Chamado Ove

Quando comecei a ver o filme lembrei de uma frase que ouvi do meu filho quando ele ainda era um menino: “Quantos mais suicidas tem no mundo, menos suicidas tem no mundo”. Lembro que ri (apesar de trágica) e a achei genial.

Pois vendo Um Homem Chamado Ove a lembrança foi quase imediata porque o argumento é o suicídio, pensei.

Mas a história segue. Dou algumas risadas e descontraio. Excelente comédia, penso. Uma espécie de comédia disfarçada. Daquelas que fazem graça com as características de alguma pessoa, sem ser pejorativa ou do gênero pastelão. Gosto disso.

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A bela Ida Engvoll está no elenco

Mas ela – a história novamente – segue desfilando e fico tenso, receoso. Começo a gostar de alguns personagens. Surge algo como identificação. Isso é estranho. Perigoso. Não é qualquer obra que consegue essa proeza. Imediatamente especulo que é um filme profundo, destes que querem dizer mais do que está na tela. Surgem conflitos, preconceitos, alguma violência (mas nada de homens explodindo ou coisas do tipo) e minha tese de que é uma espécie de “Godard” ganha força.

Aula

Novamente, porém, ela – novamente ela, a história – se desenvolve de uma maneira dramática e alguns “ciscos entram nos meus olhos”. Lágrimas nem sempre são bem vindas mas normalmente fazem bem. Belo drama, sentencio. Bem feito. Emocionante nos detalhes.

Mas aí recorro o filme todo e percebo a forma como a história foi contado. Que espetáculo. Que forma original. Que montagem. E, claro, sem dúvida alguma, concluo que é uma aula de cinema moderno. É um exemplo de como se faz cinema de qualidade com pouco dinheiro. 

Entram os créditos. Não conheço praticamente ninguém. As letras sobem rápidas, diferente do tempo que levei para concluir que Um Homem Chamado Ove é tudo isso aí acima. É uma obra completa. Uma verdadeira enciclopédia em vários aspectos, inclusive de cinema, tanto que foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2017.

O protagonista é o veterano Rolf Lassgård. Só ele já vale a pena.

Enfim, não estranhem se lerem textos de autointitulados “críticos especializados” falando mal. É o típico filme que desconstruir é cult. Claro que na cabeça pequena desta gente.

 Enfim, vejam. É um excelente filme sueco. Está no Telecine.

 

 

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