Victória e o cinema alemão

O cinema alemão é um caso a parte. Mesmo um filme tradicional, feito da maneira convencional, com edição, montagem, etc, já é motivo de curiosidade, porque eles sempre conseguem incluir um detalhe ou uma cena qualquer que enriquece a obra.

Imaginem, então, um filme alemão feito em uma só tomada, com  um roteiro mínimo de apenas 12 páginas, filmado entre às 4h30min e sete horas em dois bairros de Munique. E, para diferenciar ainda mais, com boa parte dos diálogos feitos de improviso.

Pois o diretor Sebastian Schipper, o mesmo de Corra Lola, Corra, a meu ver um marco no cinema mundial, dirige a linda espanhola Laia Costa, do também bom e alternativo Palm Trees in the Snow, de uma maneira bastante especial.

Victória

Laia Costa

Ele consegue, apesar da tomada única e do escuro dominante em muitas cenas, dar um bom ritmo ao filme. A mistura de idiomas, o sonoramente agressivo alemão e o já batido aos nossos ouvidos inglês, traz um resultado interessante. A trilha muito bem feita e muitíssimo bem explorada, onde alguns silêncios tornam-se mais importantes que os efeitos sonoros ou a própria música.

O bom cinema

Acredito que Victória não seja um filme que arrebatará paixões mundo afora. Ele não é uma obra fácil de ser vista. A história não tem nada que ganhe o espectador, nada de nobre, nada de romântico. Ela é fria e feia. É um retrato de algumas horas de um verdadeiro delírio marginal, tendo fumo, drogas e a noite como combustível. Mas, apesar disso, é uma obra imperdível para os fãs da telona. Tanto é bom que só não concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro porque possui muitos diálogos em inglês, não sendo aceito pela Academia.

Um país que já produziu filmes como O Que Fazer e Caso de Incêndio – se ainda não viram, não deixem de ver -não me causa espanto ao apresentar Victória. E, seguramente, coloca a Alemanha entre os grandes produtores do cinema mundial, ao lado principalmente da vizinha Argentina.

Enfim, vejam. Está no Telecine, grátis para assinantes.

 

 

 

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