Wildlike: Coração Selvagem

Wildlike, o nome original, não tem nada de Coração Selvagem, o nome brasileiro.

Provavelmente se existisse um concurso de quem põe nomes mais estapafúrdios em filmes o Brasil ganharia com facilidade.

Wildlike é um filme estranho. A certa altura pareceu que o propósito do filme era somente divulgar o turismo no Alaska. Ele é recheado de belos lugares, florestas, geleiras, montanhas. Tomadas bem feitas e calmas de paisagens únicas e raras, com tempo suficiente para contemplar distraidamente sem perder nada da história. Um verdadeiro panfleto turístico!

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Ella Purnell

Até um passeio de avião apareceu do nada, mas com fundamento, deixando a ideia de que realmente fosse um filme-propaganda. Pode até ser possível que seja, mas, certamente, não fica apenas nisso, basicamente por dois motivos: o começo e o final.

O início mostra o que seria o mote: o abuso de um adulto com sua sobrinha adolescente. E o final mostra um pouquinho de esperança em “sei lá o quê”. Parece estranho eu escrever isso, mas, caso você veja Coração Selvagem, entenderá perfeitamente.

Finais da moda

O final não é somente aberto. É escancarado. Pode-se concluir dezenas de desfechos, desde os mais sórdidos e nada politicamente corretos até aqueles de sonhos de fadas, em que retomamos confiança de que nem tudo esteja perdido.

E o meio é uma imensa coleção de lugares espetaculares e situações previsíveis.

O elenco, tendo à frente a jovem Ella Purnell, de Malévola, e Bruce Greenwood, do lamentável Spectral, encarnando um personagem muito interessante e intenso, tem um desempenho legal, sem altos nem baixos. Eles tornam o filme mais fácil de ver. Porque, acredite, apesar da fotografia e de um tema que por si só seria – ou deveria ser – explosivo, ele é cansativo. Daqueles que parecem maiores do que realmente são.

Enfim, abrindo alguns senões, gostei. Não recomendaria com ênfase, longe disso.

Mas se você gosta de um filme interessante e bastante diferente, veja.

Está no Netflix.